quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sou Eu

Olá a todos.

Venho aqui finalmente. Depois destes longos meses.
Explicações a dar? Algumas.
Estive um bocado recolhida por várias razões. Nos últimos meses, praticamente no último ano da minha vida, houveram bastantes mudanças no meu quotidiano, circunstancial, emocional e físico.
Não vou abordar estes assuntos, mas gostava de falar aqui de um deles, talvez o menos 'privado', digamos assim. E gostava de fazê-lo porque este espaço é o meu espaço, quero poder um dia olhar para trás e ver que deixei aqui alguns marcos importantes da minha vida.



Em Janeiro deste ano de 2012, perdi uma das coisas que era das mais importantes na minha vida. A minha Caroxa. A minha gatinha, que veio encontrar na minha casa um lar, há 13 anos atrás. Vinda de uma visita à Feira da Ladra, era suposto ter ficado com um amigo meu, mas os pais dele não estavam preparados para acolher um animal. Eu já tinha o Chipie, por isso acolhi a Caroxa (que, naqueles dias, tinha outro nome, cujo não me lembro, mas lembro-me que pensávamos que era um 'ele'), supostamente por uns dias, "até lhe encontrarmos donos", como a minha mãe frisou várias vezes.


♥ 



Tanta vez ela disse isso... mas o que é um facto é que a Caroxa continuava lá em casa e nós pouco fazíamos para tentar encontrar outros donos. Até que um belo dia, a minha mãe chegou do trabalho e, entrando na sala onde eu e o meu pai estávamos, cada um com um dos gatos ao colo, em vez de largar a frase diária do "temos de achar um dono para a bichinha", calou-se e percebeu, pela cara que (ela conta) eu e o meu pai lhe fizemos, aquela gata já não ia sair de lá de casa. Foi como que um acordo tácito e silencioso. Ninguém nunca mais disse nada. Simplesmente deixou-se de se falar disso. E ela lá ficou.




Com seis meses cometeu a proeza de cair da varanda do 3º andar, numa tentativa de se armar em
equilibrista do circo. Passou umas horas ao frio, na rua, até sermos capazes de perceber que ela tinha caído. Uma pata partida. Operação, com direito a parafusos na pata de trás.












Mas ela sempre foi rija. Esse incidente não a impediu de cometer as mais maravilhosas e mirabolantes atrocidades lá em casa, que incluíam snifar o café moído da máquina do café, lamber as beatas do cinzeiro dos meus pais, trepar pelos cortinados da sala, até ao varão, saltando depois para cima das estantes e fazendo um sprint de novo para o chão, nunca derrubando (quase) nenhum objecto!




Tinha também a mania de lamber os sacos de plástico do supermercado, enfiar-se dentro deles e começar a forçar o focinho pelo plástico, até o rebentar, tal e qual o Alien, quando saía da barriga do seu hospedeiro.

Deu-nos muitas dores de cabeça, mas as alegrias são as que eu escolho guardar.










Em Janeiro de 2011, depois de eu vir do Brasil, reparámos que ela estava a coxear. Tinha então 12 anos. Não tinha caído, não tinha nada aparentemente magoado na pata, mas coxeava. Decidimos então levá-la ao veterinário, umas semanas depois de o problema persistir. Descobrimos que tinha um tumor ósseo e que não havia grande coisa a fazer. Ela iria perder mobilidade gradualmente, até ao dia em que iria deixar de se movimentar de todo. Ela ainda foi valente durante mais de um ano. Foi valente até este ano. Até ao final de Janeiro deste ano. Nos últimos dias, estive com ela durante o máximo de tempo que pude! Não me quis afastar dela e não quis deixá-la sozinha mais tempo do que o necessário.

Desculpem, mas não consigo reviver esta experiência por completo, ainda. Digo-vos apenas que tivemos de tomar uma decisão e que, até ao último momento, ela fez ronron...








Estas fotos são as últimas que tenho dela. Foram tiradas meia hora antes de ela se ir embora... quis guardá-las.

Ficou para sempre no meu coração e está ainda hoje nas minhas memórias e nos meus sonhos. É complicado ter de lidar com a ausência de algo ou alguém de um dia para o outro. Os hábitos mudam, as atitudes mudam... durante muito tempo vi-a pela casa, ouvi-a miar, sonhei que ela não se tinha ido embora e que era uma alegria perceber que afinal estava ali, ao pé de mim, de novo... e ainda hoje por vezes isso acontece.

Vou recomeçar a vir aqui. Tenho trabalhado, vendendo um pouco aqui e ali, pedidos de encomendas, mas em matéria de vendas online, estive este tempo todo parada. Vou recomeçar. Tenho peças novas, que quero que vejam.
Esta é uma nova fase. Diferente. Mais triste, talvez. Triste porque sinto que fui perdendo vários pedaços de mim ao longo destes meses. Vocês que me lêem à algum tempo já sabem como eu sou... sempre a ver tudo cor de rosa... e isso não mudou. O cor de rosa está apenas um pouco mais pálido. Mas vai recuperar. :)

Muito importante: com todas estas montanhas-russas, perdi o fio à meada com algumas coisas... por isso, peço a quem saiba que tenha encomendas 'esquecidas' ou pedidos 'esquecidos', que me relembre, por favor.

Obrigada mais uma vez a todo/as que me lêem. Sem vocês, nada disto teria significado nenhum.

Bem hajam*******