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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Alianças e outras coisas...

Bem, estou de volta, depois de uma ausência forçada. Ainda não postei aqui montes de peças novas que tenho, porque ainda não tenho as fotos todas mas... posso adiantar que serão.... TCHAAAARAM... acessórios de moda! Ahahaha! E mais, só depois de amanhã! ;)
Tenho estado ausente porque estive a trabalhar nas peças do associativismo e acabei à pouco a última. MEU DEUS!!!!!!!!!!! Agora estou assim tipo, com aquele riso psicótico, sabem? De quem já está mais pra lá...
Enfim, compreendam, soldei 300 argolas!!!!! Para além de tudo o resto, né? Só de pensar que não tenho de fazer mais nenhuma coisinha daquelas, que alívio! Foi muito giro, gostei muito do projecto e espero que venham mais mas, definitivamente, trabalho em série não é nada a minha onda!
Aproveito para postar umas peças que queria mostrar havia bastante tempo. Já são de Julho e foram um projecto especial para dois amigos que se casaram e me pediram assim, errr... 4 dias antes do casamento se eu podia fazer as alianças deles! Claro que eu sou uma romântica incurável e, apesar do pouco tempo, o facto de alguém me pedir para fazer uma peça que simbolize a sua união é muito comovente. Fiquei muito honrada com o pedido.
E, assim sendo, fiz outras alianças que, à semelhança destas, exploravam o conceito de união de forma literal e também se encaixavam, além de ter brincado um bocado com a textura.
O interessante acerca de fazer peças com duas faces, como os anéis e as pulseiras é que podemos sempre jogar com essa dicotomia: uma face ser inversa à outra e isso, do ponto de vista formal, mas também conceptual, poder criar peças e conceitos lindos. :)
Aqui, as duas peças, quando se encaixam uma na outra ( a mais pequena dentro da maior), ficam com ambos os lados polidos em contacto, daí a analogia da árvore, que guarda o macio no interior. Não é lindo?!... =)
Neste caso, joguei com as texturas rugosas e o acabamento polido e nas fotos está explicada a história e o processo que me levou a estas peças. É muito romântica e acho que se adequou às pessoas em questão.
Espero que gostem.
Quarta feira vou tentar postar as minhas peças novas, apareçam! ;)
P.S- Obrigada Sofia e Ricardo... adorei o vosso pedido e desejo-vos, mais uma vez, tudo de bom!************

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Anel Fritsch

Ora bem, desta feita vou postar umas fotos de uma área em que também trabalho muito mas que ainda não tinha falado: Joalharia.
Este anel foi um dos projectos que fiz enquanto frequentei o Ar.Co. Neste momento estou noutra escola, a Contacto Directo.
Este anel foi inspirado numa peça de um joalheiro alemão, Karl Fritsch, e fez parte de um projecto que fiz sobre este autor. Um autor muito interessante, cujas peças, á primeira vista não me disseram grande coisa mas que, depois de saber o processo por detrás da sua criação, me disseram muito.
Este senhor pega em quase todos os academismos e fórmulas 'sagradas' da Joalharia que quase ninguém questiona e subverte-as completamente. Utiliza materiais nobres como o ouro sem dar acabamentos, sem evidenciar o que de mais nobre o material tem; pega em 'carradas' de pedras preciosas e amontoa-as sem grande aprumo e de forma quase negligente. Vão ver, para poderem ter uma abordagem deveras diferente da Joalharia.
O anel é feito em prata de 925 milésimas. O objectivo do exercício era redesenhar uma peça de um autor escolhido por nós e a peça final teria de recorrer a várias técnicas de montagem sem recorrer a soldaduras. Neste caso, toda a montagem que fiz foi através de encaixes e recortes.
Nas minhas peças, tanto na Joalharia como na Bijutaria, gosto de explorar o lado mais excêntrico da forma, fazer jóias que, como muita gente diz, são "pouco práticas". Isto porque acho que as jóias podem dar-se ao luxo de serem maiores, ou com protuberâncias, se forem encaradas numa perspectiva de que não as iremos usar todos os dias, mas apenas em ocasiões especiais, como aquele vestido que até aperta quando nos dobramos, ou aqueles sapatos de salto alto que nos fazem doer os pés mas que nós usamos só de vez em quando...
Alguém me disse uma vez em relação a este assunto: " Queixam-se que as jóias não são práticas. e andar de saltos altos? Também não é prático. E, no entanto, todas as mulheres usam!" Acho que esta opinião espelha bastante o que quero dizer quando alguém diz o mesmo em relação a este anel.:)
O meu professor diz que " Se as pessoas querem ter jóias para dormirem com elas e andarem 24h por dia com elas e tomarem banho com elas, não é o tipo de jóias que fazemos na Joalharia artística ou denominada de autor. Que vão ás Parfois e Bijus comprar esse tipo de produto, porque o que nós fazemos é explorar conceitos diferentes e inesperados".
Concordo com ele. Para mim, os acessórios servem não apenas para espelhar algo sobre nós, mas também para nos sintonizarmos com o que gostamos, com o que vemos, ou como costumo dizer, 'andar com um bocado do mundo como extensão de nós próprios'.
Faço muitas peças com formas esvoaçantes, intrincadas, com elementos espetados e que se salientam... assimétricos. Porque tento captar em cada um deles, a regra da Natureza, do Cosmos, daquilo que está ao nosso redor.