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segunda-feira, 5 de julho de 2010

Joalharia

Hoje vou postar duas peças que já fiz faz algum tempo, mas das quais ainda não tinha fotografias minimamente decentes. São peças de Joalharia, não de Bijutaria e são feitas inteiramente por mim, exceptuando os elementos em cerâmica.

Estes brincos surgiram de uma ideia, quando entrei em contacto com este material (a cerâmica) e desde logo, pensei " Hum, isto ficava giro misturado com metal!" E então fiz estes dois brincos, em prata de lei. A Joalharia é algo que me dá um gozo tremendo mas não faço muitas peças pois, como calculam, tem um custo de matéria prima muito mais elevado e um tempo de execução muito maior.

Como não tenho muita gente disposta a dar o valor devido às peças, não faço muito para venda (mais para consumo próprio e pedidos especiais). Talvez um dia...:) 


 Estes são em prata martelada e oxidada (envelhecida com óxido, para ficar mais escura) e com elementos em cerâmica branca. O gancho para enfiar na orelha é em prata não oxidada e tem espessura de 8mm. Para quem tem os furos muito apertados não dá, daí estar a especificar.




 


Dimensões (aprox.) 5cm x 1,2cm








Entregue em estojo de veludo, para proteger da oxidação e dos factores externos.






Estes são em cerâmica amarela com laivos de verde e castanho, com duas circunferências móveis que se cruzam num eixo central. Podem cruzar-se fazendo uma esfera, ou ficarem sobrepostas, fazendo um simples círculo.





Dimensões ( aprox.) 5,5cm x 2,5cm.






Entregues no mesmo estojo de veludo.
(Clicar na foto, para ver maior)





Cerâmica branca ( 50 marteladas)

Cerâmica amarela (60 soldaduras)


Mais info para jaqueline.ana@gmail.com



terça-feira, 24 de novembro de 2009

Alianças e outras coisas...

Bem, estou de volta, depois de uma ausência forçada. Ainda não postei aqui montes de peças novas que tenho, porque ainda não tenho as fotos todas mas... posso adiantar que serão.... TCHAAAARAM... acessórios de moda! Ahahaha! E mais, só depois de amanhã! ;)
Tenho estado ausente porque estive a trabalhar nas peças do associativismo e acabei à pouco a última. MEU DEUS!!!!!!!!!!! Agora estou assim tipo, com aquele riso psicótico, sabem? De quem já está mais pra lá...
Enfim, compreendam, soldei 300 argolas!!!!! Para além de tudo o resto, né? Só de pensar que não tenho de fazer mais nenhuma coisinha daquelas, que alívio! Foi muito giro, gostei muito do projecto e espero que venham mais mas, definitivamente, trabalho em série não é nada a minha onda!
Aproveito para postar umas peças que queria mostrar havia bastante tempo. Já são de Julho e foram um projecto especial para dois amigos que se casaram e me pediram assim, errr... 4 dias antes do casamento se eu podia fazer as alianças deles! Claro que eu sou uma romântica incurável e, apesar do pouco tempo, o facto de alguém me pedir para fazer uma peça que simbolize a sua união é muito comovente. Fiquei muito honrada com o pedido.
E, assim sendo, fiz outras alianças que, à semelhança destas, exploravam o conceito de união de forma literal e também se encaixavam, além de ter brincado um bocado com a textura.
O interessante acerca de fazer peças com duas faces, como os anéis e as pulseiras é que podemos sempre jogar com essa dicotomia: uma face ser inversa à outra e isso, do ponto de vista formal, mas também conceptual, poder criar peças e conceitos lindos. :)
Aqui, as duas peças, quando se encaixam uma na outra ( a mais pequena dentro da maior), ficam com ambos os lados polidos em contacto, daí a analogia da árvore, que guarda o macio no interior. Não é lindo?!... =)
Neste caso, joguei com as texturas rugosas e o acabamento polido e nas fotos está explicada a história e o processo que me levou a estas peças. É muito romântica e acho que se adequou às pessoas em questão.
Espero que gostem.
Quarta feira vou tentar postar as minhas peças novas, apareçam! ;)
P.S- Obrigada Sofia e Ricardo... adorei o vosso pedido e desejo-vos, mais uma vez, tudo de bom!************

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Peças Associativismo

Bem, voltei!! :D
Neste post vou explicar porque é que andei meio desaparecida. As pessoas que me conhecem já estão a par, quanto mais não seja por me ouvirem constantemente a queixar-me de ter passado as últimas duas semanas consecutivas a soldar. Já parecia que tinha o maçarico colado às mãos, ehehe.
Ora bem, isto foi um projecto feito de raíz para o Município do Barreiro, com o objectivo de oferecer estas peças às colectividades e associações culturais no Barreiro, bem como a diversas personalidades importantes. Para mim, será escusado dizer, é uma bela oportunidade de dar a conhecer o meu nome e o meu trabalho e por esse facto tenho a agradecer à minha querida amiga Mónica Duarte do Gabinete da Juventude que sugeriu o meu nome quando o nosso querido presidente Carlos (Nhocas) Humberto lhe disse que este ano queria 'uma prenda diferente'.
O mote era o associativismo. E para tal, criei estas duas peças, em inox e latão que, creio, conseguem transmitir essa ideia. Nas fotos das peças acabadas escrevi um pequeno texto para explicar o porquê das formas e o conceito por detrás. Fiz uns pequenos folhetos para acompanharem as peças nas embalagens com esse texto e com algumas fotos da sua execução ( que são as que mostro aqui). Fi-lo porque acho importante que as pessoas que as vão receber possam enteder melhor o porquê de elas serem assim e compreenderem melhor o processo criativo que levou até ali. As fotos da execução servem para mostrar como foram feitas. Como sabem, eu gosto sempre de dar esta informação às pessoas, gosto que elas se contextualizem, não costumo fazer uma peça só por si. Tenho sempre uma ideia, um conceito, uma história por trás para as fundamentar.
Fiz estas duas peças para que eles escolhessem qual gostavam mais que eu produzisse e acabaram por escolher as duas, por terem ficado indecissos e gostarem igualmente das duas. Para mim melhor.:) Porque eu também não conseguia decidir de qual gostava mais.
Esqueci-me de mencionar o facto mais importante: tenho de produzir 80 coisinhas destas!!!!! Ah, pois é! Mas esta primeira fase é que foi mais complicada, porque tive de entregar logo 30 peças. Mas, a partir de agora, será mais tranquilo, vão ser mais espaçadas. Por isso agora percebem porque nunca mais aqui vim? Cada coisa destas demora algum tempo a fazer, embora eu tenha tido uma ajuda incrível do pessoal aqui de casa. Se não fossem eles, teria sido muito difícil para mim. O meu passarinho ajudou-me a lixar as peças de inox, o meu pai a furar as argolas das esferas ( foram 240) e a minha mãe a fazer as embalagens em forma de pirâmide. Ficaram giras, o Origami voltou a dar jeito, desta vez em tamanho grande.:) Depois posto fotos das peças na embalagem, desta vez não deu para tirar.
A minha casa durante uns dias pareceu uma oficina de serralharia, cada um a fazer barulho com a sua máquina, ehehe...:)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Alianças

Mais um projecto de Joalharia. Este para mim é bastante especial. Por um lado, porque foi o primeiríssimo projecto na área da Joalharia, quando eu entrei para o Ar.Co há cerca de dois anos e meio. Por outro, porque estas foram feitas à minha medida e do meu passarinho. :)
O conceito do projecto era a União e essa ideia aplicada ao símbolo físico da Joalharia: as alianças de casamento.
Depois de ler o exercício, decidi logo que queria que as minhas alianças se encaixassem ou se unissem de algum modo, mesmo antes de ter qualquer ideia do seu formato.
Acabei por chegar a esta forma que considero que exprime de forma sublime tudo o que eu quis transmitir.
O amor é união: a peça, em si, fisicamente, une-se.
Quando estamos de mãos dadas, é possível encaixá-las uma na outra.
O amor é infinito: as alianças, vistas de cima, as duas juntas, formam o símbolo do infinito ∞.
Anatomia sexual: a aliança masculina tem um gancho que se encaixa na fenda da aliança feminina.:)
A aliança masculina, quando não está encaixada na feminina, adapta-se ao dedo médio e assim não causa desconforto nem se torna um empecilho.
Depois fiz a embalagem. Um dos requisitos nos projectos desta escola era termos de desenhar a embalagem de suporte das peças que criávamos.
Aqui, usei um material plástico da Canson, polipropileno em folha, um material que oferece muitissímas possibilidades na criação de diferentes objectos: cadernos, embalagens, candeeiros, ou até malas, como eu já mostrei neste post.
Nesta embalagem, utilizei porcas e parafusos para a montar e ela pode ser remontada mudando a configuração e reposicionando os parafusos. As alianças sustentam-se encaixando no material e ficam suspensas, dando um ar de leveza ao conjunto. Para rematar, coroei a embalagem com duas violetas verdadeiras, que condiziam com a côr do plástico. O aspecto final do conjunto remete-me sempre um bocado para o formato do bolo de casamento.:) Até que não me importei muito, uma vez que o tema andava aí por essas bandas.
O material: latão com banho de ouro.

Anel Fritsch

Ora bem, desta feita vou postar umas fotos de uma área em que também trabalho muito mas que ainda não tinha falado: Joalharia.
Este anel foi um dos projectos que fiz enquanto frequentei o Ar.Co. Neste momento estou noutra escola, a Contacto Directo.
Este anel foi inspirado numa peça de um joalheiro alemão, Karl Fritsch, e fez parte de um projecto que fiz sobre este autor. Um autor muito interessante, cujas peças, á primeira vista não me disseram grande coisa mas que, depois de saber o processo por detrás da sua criação, me disseram muito.
Este senhor pega em quase todos os academismos e fórmulas 'sagradas' da Joalharia que quase ninguém questiona e subverte-as completamente. Utiliza materiais nobres como o ouro sem dar acabamentos, sem evidenciar o que de mais nobre o material tem; pega em 'carradas' de pedras preciosas e amontoa-as sem grande aprumo e de forma quase negligente. Vão ver, para poderem ter uma abordagem deveras diferente da Joalharia.
O anel é feito em prata de 925 milésimas. O objectivo do exercício era redesenhar uma peça de um autor escolhido por nós e a peça final teria de recorrer a várias técnicas de montagem sem recorrer a soldaduras. Neste caso, toda a montagem que fiz foi através de encaixes e recortes.
Nas minhas peças, tanto na Joalharia como na Bijutaria, gosto de explorar o lado mais excêntrico da forma, fazer jóias que, como muita gente diz, são "pouco práticas". Isto porque acho que as jóias podem dar-se ao luxo de serem maiores, ou com protuberâncias, se forem encaradas numa perspectiva de que não as iremos usar todos os dias, mas apenas em ocasiões especiais, como aquele vestido que até aperta quando nos dobramos, ou aqueles sapatos de salto alto que nos fazem doer os pés mas que nós usamos só de vez em quando...
Alguém me disse uma vez em relação a este assunto: " Queixam-se que as jóias não são práticas. e andar de saltos altos? Também não é prático. E, no entanto, todas as mulheres usam!" Acho que esta opinião espelha bastante o que quero dizer quando alguém diz o mesmo em relação a este anel.:)
O meu professor diz que " Se as pessoas querem ter jóias para dormirem com elas e andarem 24h por dia com elas e tomarem banho com elas, não é o tipo de jóias que fazemos na Joalharia artística ou denominada de autor. Que vão ás Parfois e Bijus comprar esse tipo de produto, porque o que nós fazemos é explorar conceitos diferentes e inesperados".
Concordo com ele. Para mim, os acessórios servem não apenas para espelhar algo sobre nós, mas também para nos sintonizarmos com o que gostamos, com o que vemos, ou como costumo dizer, 'andar com um bocado do mundo como extensão de nós próprios'.
Faço muitas peças com formas esvoaçantes, intrincadas, com elementos espetados e que se salientam... assimétricos. Porque tento captar em cada um deles, a regra da Natureza, do Cosmos, daquilo que está ao nosso redor.