quarta-feira, 2 de março de 2011

Algo que quero partilhar com vocês...

Olá. :)


Deparei-me ainda agora com um mail, um daqueles slideshows que, de vez em quando, toda a gente recebe, que achei fantástico. Regra geral não vejo muitos deles, mas como este era da minha professora de ioga, decidi ver. E ainda bem que o fiz!


Trazia um texto fabuloso, de um psicólogo brasileiro (acho) e que achei que espelhava bastante bem alguns dos sentimentos/mudanças que têm ocorrido comigo, interiormente. Já aqui o disse, é muito bom quando nos deparamos com coisas que reforçam o que estamos a sentir ou a vivenciar. :)  É mais uma confirmação que, se estivermos receptivos a elas, as coisas boas vêm ter connosco.


Achei que o texto merecia ser partilhado e espero que gostem.




"Não foi apenas o avanço tecnológico a marcar o início deste milénio. As relações afectivas também estão a passar por profundas transformações e a revolucionar o conceito de amor. O que se busca hoje em dia é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar."

Isto é muito verdade... ou não concordam? Quantas vezes nos pomos na posição de 'Eu só não lhe dou isto, porque ele/a não me dá o que eu preciso!' ou 'eu só estou a agir assim porque tu estás a fazer isto!'... :)  Quantas? A verdade é que nós não devemos pautar o nosso comportamento pelo do outro. Ou seja, a reacção é normal... mas convém irmos tomando conta disto: que não estamos limitados ao que o outro faz para agir. Nós podemos escolher! As coisas são sempre neutras. São. Acontecem. A maneira como as olhamos ou pensamos é que faz delas positivas ou negativas. E é sempre tão mais fácil ir pelo positivo... isto é... não é mais fácil... mas é melhor. :)  Sentimos-nos mais leves. 
Por isso, não podemos mesmo responsabilizar o outro pelo nosso bem-estar. Nós é que temos esse poder, nós temos essa responsabilidade, nunca o outro.



" A ideia de que uma pessoa é remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o Romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte de uma premissa de que somos uma fracção e que precisamos de encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido até mais a mulher. Ela abandona as suas características para se amalgamar ao projecto masculino.
A teoria da ligação entre os opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer aquilo que eu não sei. Se sou manso, o outro deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos a trocar o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente."



Tal e qual! :)
Lá está... não podemos ir buscar externamente aquilo que temos de procurar e encontrar dentro de nós próprios. Porque se o fizermos, tornamos-nos dependentes de uma relação, de retirar dela aquilo que nos faz falta. Mas isso não é gostar. Não é amar. Nem faz bem a nenhuma das pessoas. Só quando nos sentimos realmente amados em nós mesmos é que podemos amar os demais! 

Fogo... ouvi, li isto tanta vez... mas só mesmo quando ME senti assim é que compreendi! O alcance de tal verdade. Como disse um amigo meu (o meu mano galáctico) ;),  'não se pode dar de uma cesta que está vazia'. E é isso mesmo: como é que podemos dar uma coisa que não temos?... Até podemos pensar que damos... mas é sempre uma relação de co-dependência: eu dou-te, para tu me dares a mim, porque eu preciso. Como, mais uma vez, o meu mano disse: 'quando se diz ama o próximo como te amas a ti mesmo, geralmente esquecemos-nos da segunda parte da frase... o amarmos a nós próprios'.



"As pessoas estão a perder o pavor de ficarem sozinhas e a aprender a conviver melhor consigo mesmas. Estão a começar a perceber que se sentem uma fracção, mas que, na verdade, são inteiras."


:)
ISto lembra-me uma coisa muito especial que a Rusa (a minha hipnoterapeuta) me disse, logo na primeira sessão, enquanto ainda conversávamos: quando eu lhe disse que tinha alguma dificuldade em estar sozinha, que não gostava muito, ela disse-me isto, que fez toda a diferença: 'Ana, tu não estás sozinha. Tu estás acompanhada contigo mesma. É outra coisa bem diferente.' E ela tem razão. :)



"O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Mas, na verdade, não é príncipe, nem salvador de coisa nenhuma... é apenas um companheiro de viagem.
O Homem é um animal que vai mudando o mundo ao seu redor e depois tem de se ir reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja material ou espiritual.
A nova forma de amor tem uma nova feição e significado: visa a aproximação de dois inteiros e não da união de duas metades. E esta só é possível para aqueles que conseguem trabalhar a sua individualidade."



Só quando nos sentimos suficientes a nós próprios é que podemos completar-nos ao dar o nosso amor aos outros. :)
Concordo com o que ele diz acerca do egoísmo. Já fui chamada de egoísta algumas vezes. E sei que provavelmente serei chamada outras tantas mais... mas acredito profundamente em ser fiel a mim mesma antes de o ser ao outro. Isso, para mim, abdicar de algo, por 'sacrifício', não vale. 
A palavra sacrifício implica que se faça algo que não se quer fazer. Como é que podemos estar a amar o outro ao fazer isso?... 

Não, a individualidade é o cuidarmos de nós próprios. Limparmos bem os nossos jardins interiores e tratarmos de os manter bem nutridos e bonitos (metáfora que a Rusa também usou). Senão, se deixarmos o jardim secar, murchar, apodrecer, que estaremos a dar aos outros, a pôr cá para fora...? Percebem-me? :)


"Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Pelo contrário: dá dignidade à pessoa.
As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, no sentido em que ninguém exige nada de ninguém e ambas as pessoas crescem. Relações de dominação e concessões exageradas são coisa do passado."


E nem dão bons resultados... porque o mais provável é que se vão acumulando rancores e mágoas, mais ou menos inconscientes, por ser ter 'abdicado de coisas, para estar contigo...', 'feito sacríficios para o bem* da relação'...

* que ironia... o bem. Eu também já tive este discurso, não me interpretem mal... hoje tenho consciência dele. É muito fácil cair neste tipo de registo.


"Cada cérebro é único. O nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, a única coisa que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto."



Tããão verdade. Ainda me lembro de quando dava por mim a censurar o meu companheiro por ele SER que era. Que absurdo! Lá está, hoje tenho essa consciência... mas conseguia muitas vezes deixar que a frustração me consumisse por ele não agir de acordo com o que eu desejava/pensava/queria. Houve um dia na terapia, logo no início, em que ela me disse o seguinte: 'Ana, deixe de idealizar o ****. Ele simplesmente É. Você tem é de perceber se gosta dele assim, ou não. Não vale a pensa estar com o discurso de que um tem que mudar isto ou aquilo para as coisas passarem a funcionar... VOCÊ é que tem de olhar para ele como ele É e perceber se quer isso para si ou não!'

E aí... eu percebi. 
E, mais recentemente, percebi, ao ler o livro do Tolle, o quanto é importante não idealizar. Porque, ao idealizarmos, estamos como que a negar aquilo que uma coisa é. Ou seja, há aquele pensamento do 'gostava que fosse de outra maneira' e isso, de certo modo, é não gostar da coisa em si! Como é que gostamos de uma coisa que passamos o tempo a desejar que fosse diferente do que é?...

Caramba... foi ao perceber isto a sério que comecei a sentir-me mais leve... :)  e a dar-me bem melhor com todas as pessoas à minha volta. Simplesmente deixo-as SER. Para mim, amar, neste momento equivale a deixar ser.



"Todas as pessoas deviam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir a sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro."


Em boa verdade, eu posso dizer-vos que, mesmo que pareça difícil, não é preciso estar-se sozinho para se conseguir isto. :)  Eu, quando comecei a hipnose, percebi que estava um pouco mais distante do ***** porque, naquele momento, eu ainda estava a experimentar algumas ideias e sentimentos novos por mim mesma. E queria fazê-lo sozinha, sem lhe contar nada, pois estava ainda demasiado condicionada, presa ao que ele poderia dizer ou achar e deixar que isso influenciasse o meu modo de pensá-las. Ou seja... seria uma distracção para mim. Quis primeiro consolidar tudo bem aqui dentro, descobrir por mim mesma o que é que servia e era verdade para mim e só depois... só aí é que me abri com ele. Portanto, foi uma altura de algum desprendimento, de algum afastamento, mas nunca de separação. 

Isto para dizer o quê?... Que se pode fazer isto estando-se ao mesmo tempo com alguém. Alguém com quem, como o senhor diz, se tem uma relação saudável, em que se respeita e ama o outro e em que se cresce! :)  E eu sinto que tenho isso. Que sou uma sortuda. Que tenho ao meu lado alguém que está, tal como eu, a viver a sua vida. E vamos-nos cruzando, no meio, no nosso tronco comum... :)

"O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado."




Bom, espero que tenham gostado, eu sinto que, parte do meu caminho agora é fazer isto... partilhar estas coisas com vocês... já sabem o que eu acho: se não quiserem ler, podem sempre 'sckrollar down'. ;)


Bem hajam**************



5 comentários:

Anónimo disse...

Adorei anocas! Devias escrever um livro sabes!

Beijinhos

O Sonho d@ Bubulet@ disse...

Há e tal.....
Temos que falar xim?
Quando tens tempinho para um chá!!!!?

Beijinhussssssssssssssssssssssss

pontos disse...

Gostei de ler, estou a passar por umas mudanças na minha vida e acho que isto faz sentido, muitoooo sentido! ^-^

Beijocas
Tânia

Ana Encarnação disse...

Ângela: (?) (tens de começar a assinar, pá!);D

Escrever, eu?... tenho lá tempo para isso?... um dia, talvez. Quando ôr velhinha e só me restar ser como o Hemingway... rodeada de gatos e a fumar cachimbo. ;)


Martinha: quando quiseres, minha fofa! É que é memo, memo só dizeres. I'll bidé! ;)


Tânia: =)
Fez?... ainda bem...<3

melissa disse...

é isso ai, amiga Ana... sempre a descortinar, forever, porque "
‘Uma primeira causa é incompreensível e o universo é sem começo’.
Temos saudades.. bora lá combinar o tal fim de tarde no tal espaço no parque ;) grande bejo
happy happy