quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Anel Fritsch

Ora bem, desta feita vou postar umas fotos de uma área em que também trabalho muito mas que ainda não tinha falado: Joalharia.
Este anel foi um dos projectos que fiz enquanto frequentei o Ar.Co. Neste momento estou noutra escola, a Contacto Directo.
Este anel foi inspirado numa peça de um joalheiro alemão, Karl Fritsch, e fez parte de um projecto que fiz sobre este autor. Um autor muito interessante, cujas peças, á primeira vista não me disseram grande coisa mas que, depois de saber o processo por detrás da sua criação, me disseram muito.
Este senhor pega em quase todos os academismos e fórmulas 'sagradas' da Joalharia que quase ninguém questiona e subverte-as completamente. Utiliza materiais nobres como o ouro sem dar acabamentos, sem evidenciar o que de mais nobre o material tem; pega em 'carradas' de pedras preciosas e amontoa-as sem grande aprumo e de forma quase negligente. Vão ver, para poderem ter uma abordagem deveras diferente da Joalharia.
O anel é feito em prata de 925 milésimas. O objectivo do exercício era redesenhar uma peça de um autor escolhido por nós e a peça final teria de recorrer a várias técnicas de montagem sem recorrer a soldaduras. Neste caso, toda a montagem que fiz foi através de encaixes e recortes.
Nas minhas peças, tanto na Joalharia como na Bijutaria, gosto de explorar o lado mais excêntrico da forma, fazer jóias que, como muita gente diz, são "pouco práticas". Isto porque acho que as jóias podem dar-se ao luxo de serem maiores, ou com protuberâncias, se forem encaradas numa perspectiva de que não as iremos usar todos os dias, mas apenas em ocasiões especiais, como aquele vestido que até aperta quando nos dobramos, ou aqueles sapatos de salto alto que nos fazem doer os pés mas que nós usamos só de vez em quando...
Alguém me disse uma vez em relação a este assunto: " Queixam-se que as jóias não são práticas. e andar de saltos altos? Também não é prático. E, no entanto, todas as mulheres usam!" Acho que esta opinião espelha bastante o que quero dizer quando alguém diz o mesmo em relação a este anel.:)
O meu professor diz que " Se as pessoas querem ter jóias para dormirem com elas e andarem 24h por dia com elas e tomarem banho com elas, não é o tipo de jóias que fazemos na Joalharia artística ou denominada de autor. Que vão ás Parfois e Bijus comprar esse tipo de produto, porque o que nós fazemos é explorar conceitos diferentes e inesperados".
Concordo com ele. Para mim, os acessórios servem não apenas para espelhar algo sobre nós, mas também para nos sintonizarmos com o que gostamos, com o que vemos, ou como costumo dizer, 'andar com um bocado do mundo como extensão de nós próprios'.
Faço muitas peças com formas esvoaçantes, intrincadas, com elementos espetados e que se salientam... assimétricos. Porque tento captar em cada um deles, a regra da Natureza, do Cosmos, daquilo que está ao nosso redor.

3 comentários:

marta disse...

fiquei curiosa para ver o efeito que faz no dedo...à primeira vista parece-me uma peça bastante interessante exactamente por causa das assimetrias que referes e das formas a que eu chamaria livres. eu, pessoalmente e com a minha opinião de leiga, mais facilmente compraria um anel assim do que um anel vulgar que em nada se distingue dos outros. isto se tivesse "disponibilidade" financeira para comprar jóias de autor :-)

Herb, the Lamb disse...

Este anel está simplesmente fabuloso!
Eu sou colecionadora de aneis e admito que gostaria que esta bela peça fizesse parte da minha colecção.
É por peças como esta que vale a pena ser "artista".

humming disse...

Olá Ana,

Este anel conquistou-me... Diga-me está para venda? É possível encomendar? Queria tê-lo... :)